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A AMEAÇA DOS GANGS
O que há dias se passou na praia do Tamariz, coração do Estoril, é um aviso, uma amostra do que pode tornar-se corrente se não tivermos cuidado e não lhe pusermos travões a fundo.
Dois gangs de jovens delinquentes de bairros sociais dos arrabaldes de Lisboa disputam o controlo da praia e entram numa batalha campal com facadas e tiros. Cidadãos e turistas fugiram como puderam e, depois, chegou a polí¬cia, mas já era tarde. Os delinquentes dos gangs tinham fugido, só o sangue ficara no chão...
Claro, em resultado disto, os banhistas habituais da praia do Tamariz dizem estar a pensar deixar de frequentar a praia devido a estes actos criminosos afirmando que o clima de insegurança começa a sobrepor-se à qualidade da praia... Quer os banhistas quer os responsáveis da restauração mostram-se seriamente preocupados com o futuro da praia, apesar de já ser visí¬vel a presença de mais agentes da PSP.
“Isto está a ficar uma situação insustentável. Vou deixar de vir aos fins-de-semana, porque tenho crianças e não quero correr o risco de estar aqui e de repente levar com um tiro”, afirmam os banhistas, que dizem que o ambiente está a ficar muito perigoso.
O senhor presidente da Câmara de Cascais aproveitou e sacudiu a água do capote para cima do ministro, como se não fosse nada com ele. É uma atitude infeliz e perigosa que abre a porta aos gangs. Os presidentes de câmara são os responsáveis pelo que se passa no seu território e devem tomar medidas antes das coisas acontecerem, em articulação com os ministros, claro. Quando não o fazem, acontecem estas coisas que agora puseram o Estoril de rastos e os turistas em fuga.
Os presidentes das câmaras do Algarve ficam avisados... Pergunta-se: que já fizeram eles para evitar que se verifiquem estes assaltos, arrastões e combates de gangs nas nossas praias e ponham os turistas em fuga? Aposto que nada, mas está na altura de o fazerem... Ou vão pela velha filosofia da casa roubada, trancas à porta? Se vão, vão muito mal e deixam o Algarve à mercê destes gangs criminosos.
AUMENTAR O PEITO...
A indústria do turismo há anos que se globalizou e se tornou hipercompetitiva, oferecendo destinos exóticos, de qualidade, a preços muito competitivos. Logo que isso aconteceu, ficou claro que a velha receita de "sol e mar" não chegava para trazer bons turistas ao Algarve. Ficou claro, logo aí, que era preciso qualificar a oferta, oferecer, além do sol e do mar, outros produtos de alta qualidade que justificassem a escolha pelo Algarve. Praias e sol há por todo o mundo e com aviões baratos vai-se a qualquer lado.
A reacção dos nossos operadores foi lenta. A inércia tem sempre muita força. E os agentes políticos algarvios também não foram capazes de entender o que se passava e não souberam, portanto, criar instrumentos de mobilização para a inovação.
A resposta está a vir da sociedade civil. Lentamente, mas aparece. E isso são, apesar de tardios, bons sinais. Agora chega-nos a notícia da aposta de um grupo hospitalar - os HPP - no turismo de saúde. Óptimo. Excelente ideia esta de usar uma oferta de hotéis de cinco estrelas combinada com cirurgias ortopédicas e plásticas. É um pacote interessante, capaz de atrair turistas europeus que deixam de ter necessidade de ir à India ou ao Brasil. Mas atenção que a Espanha já aposta nisto e que a qualidade terá de ser impecável... Ou então, sai a emenda pior que o soneto.
O mercado europeu do turismo de saúde vale já mais de 8 mil milhões de euros e esta decisão de ir buscar uma parte deles para o Algarve é óptima e só peca por tardia.
Para além das ortopedias e outras cirurgias, há uma oferta capaz de mobilizar muitos casais: Cinco dias, para duas pessoas, num hotel de cinco estrelas e uma cirurgia plástica para aumento do peito... Tudo por 5378 euros. E com direito a românticos passeios na praia...
BONS SINAIS
Há tempos que temos aqui vindo a referir a imperiosa necessidade de requalificar o Algarve, como destino turístico, e tornar a nossa região uma zona de turismo de excelência.
Alguns factos recentes mostram que, pouco a pouco, se vai caminhando nesse sentido. Coisas diversas, aparentemente sem relação entre si, mas que têm em comum a procura da excelência e da qualidade.
Um consultor de turismo referia há dias que a dinâmica verificada na abertura de hotéis de 4 e 5 estrelas, em destinos maduros como o Algarve, mostra que a oferta está em requalificação".
Em requalificação está também a produção de vinhos, de bons vinhos, que se tinha afundado e perdido nos anos oitenta do século passado (e, deixem que o diga, que saudades de certas produções da Adega de Tavira dos anos setenta...!). Vinhos do Algarve aparecem já entre os escolhidos como o que de melhor se faz em Portugal.
São óptimos sinais. Mas temos de persistir para fazer deste nosso Algarve o que ele merece: uma região segura e próspera onde saiba bem viver, tanto para os naturais como para os turistas que dão vida à nossa economia.
A FAMÍLIA E A ESCOLA
Vi há dias que, aqui no Algarve, numa cidade bem perto de nós, uma mãe invadiu as instalações do conselho directivo da escola da sua filha e encheu uma professora de estalos e bofetadas, depois de esta ter dada uma nota negativa à sua filha e de toda uma história de copianço nos testes. O conselho directivo, entretanto, remeteu-se ao silêncio e nada diz. Mas a referida mãe, em declarações a um quotidiano, já disse que tinha dado poucas à professora...
Ora bem, vendo bem a coisa e as várias versões que correm, a conclusão é simples: isto é um desconchavo. E nem importa quem tenha ou julgue ter razão. As coisas nunca podiam ter chegado aqui. Assim, não há educação que resista e estamos a pagar para produzir analfabetos e gente mal-educada.
Os pais têm muita responsabilidade no desastre em que as escolas se tornaram. Com pais assim, que batem nos professores, as criancinhas sentem que podem disparatar à vontade e nem precisam de estudar para os testes...
Como aqui tínhamos dito há umas semanas, um grupo de especialistas da educação reuniu-se em Valência, Espanha, para debater o assunto família, escola, responsabilidades... E, entre outras, chegaram à conclusão que o aumento da violência nas escolas reflecte uma crise da autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
“As crianças não encontram em casa a figura de autoridade”, que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater, um dos organizadores do encontro. Por isso, ele recomenda aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'. Porque se 'a boa educação é cara, a má educação é muito mais cara'.
O filósofo tem toda a razão, como se viu com este caso da professora que levou os estalos da mãe da aluna a quem tinha dado uma negativa. A função da escola é instruir - ensinar a ler, escrever e contar - mas educar é uma função da família. Ora, é esta mãe que precisa urgentemente de ser educada...
PERDER O FUTURO
Portugal pode estar em véspera de perder uma das suas mais importantes empresas. Uma empresa estratégica, da qual depende muita coisa do nosso quotidiano. E muita coisa do nosso progresso económico e social. E estamos em vias de perdê-la para os espanhóis. E com ela perderemos também a nossa principal ligação concreta e objectiva ao Brasil.
Falo, é claro, da Portugal Telecom.
E alguém pode perguntar: “Mas, então, como chegamos a isto?” Boa pergunta. É a pergunta certa. Chegámos a isto porque nos últimos tempos, desde há anos, mesmo, que houve quem não entendesse a importância da PT… Em Espanha, todo o governo, toda a oposição, todos os embaixadores e banqueiros apoiam a Telefónica e fazem lobby e movem influências e dinheiro para apoiar a Telefónica. Aqui, Sócrates é acusado de falar com a PT… No fundo, temos o que merecemos. Mas são horas de acordar e mudar de vida. Ou, então, será demasiado tarde para sermos um país independente, livre e com progresso. Será demasiado tarde para mandarmos na nossa casa. Ou até para termos casa…
CRISE À ESPANHOLA
A crise económica de Espanha vai custar-nos caro. E não só ao Algarve, mas a todo o País. E não só ao turismo, mas a todos os sectores. Aos portugueses que trabalham (ou trabalhavam...) em Espanha e estão a perder (ou já perderam...) os seus empregos, mas também aos que tinham os espanhóis como clientes ou que tinham em Espanha o grande mercado dos seus produtos.
Com o encolhimento da actividade económica em Espanha e com o desaparecimento do poder de compra de cada vez mais espanhóis, gera-se aqui um problema que também sobra para nós.
Foi, por exemplo, o que agora aconteceu com uma fábrica de filetes de sardinha frescos que, de Vila Real de Santo António, exportava para a Andaluzia quase toda a sua produção. Já está a registar quebras de 50% e, obviamente, prejuízos graves que podem vir a liquidar a empresa. Mas é aqui que está o grande desafio. Um desafio que quem o souber resolver garante a sua sobrevivência e quem não souber ou não for capaz está condenado a desaparecer.
O desafio consiste em ser capaz de deixar de viver "como habitualmente", não ficar à espera mas sim ir à procura de novos clientes, saber encontrar novos mercados e novos produtos (com mais valor acrescentado), em suma ser inovador e pró-activo.
Há mais mercados no mundo que o espanhol... E melhores. Há mais turistas e com maior poder de compra que os tradicionais ingleses. Mas, claro, é preciso ir à procura deles, atraí-los e fixá-los. Este é o desafio. E aqui, sim, o Estado deveria ajudar e não perder e esbanjar dinheiro com empresas e negócios mais que condenados e mortos. É quem inova merece ajuda, não quem se deixa morrer à espera que chova...
Uma nota final: o Farense atreveu-se a lutar pela sobrevivência e ganhou a aposta. Um caso exemplar. Parabéns, Farense.
A PIOR CRISE
Vivemos a pior crise da economia, estamos enterrados nela e vamos estar ainda durante longos anos, uns maus anos.
Os números – os verdadeiros, não aqueles que os políticos europeus e americanos atiram para a frente – são aterradores. Durante anos, alguém andou a brincar com o fogo. O resultado está à vista. A economia global está toda a arder e não há bombeiros capazes de lhe acudir. A dimensão do incêndio é demasiado grande e os meios dos bombeiros são curtos e escassos. Assim, os governos pouco ou nada podem fazer… Nem Obama, nem Merkel, nem ninguém.
Mas o que me parece mais grave é que para não assustar o povo – dizem eles – os políticos e os banqueiros escondem-nos a real dimensão do desastre. Quer os americanos, quer os europeus avançam números que nada dizem do que realmente se passa. Os chineses, então, são os que mais mentem… Assim, não só estamos mergulhados numa crise medonha como nos têm escondido a sua real dimensão. Pode ser que um destes dias, Obama, assustado com o andamento da coisa, diga a verdade e o mundo fique a saber o verdadeiro sarilho em que está metido…
Esta é a pior crise. E o pior aspecto dela é europeus e americanos terem andado a esconder a sua verdadeira e aterradora dimensão.
A FALTA DE HORIZONTE É O PIOR DESTA CRISE
A crise - para a qual começámos aqui a avisar há mais de um ano... - aí está, com toda a sua força bruta a abater-se sobre nós, tanto sobre famílias como empresas.
É uma crise geral de todo o Ocidente ou mesmo de todo o mundo, embora mais visível no Ocidente, tanto Europa como Estados Unidos.
Na Europa, de repente, é tudo que está em causa. Desde o Euro até à própria existência da União Europeia. Claro que dos 27 estados da União, estando todos em crise, a crise é pior para uns que para outros... É diferente a situação em Espanha da situação alemã como é diferente a situação portuguesa da inglesa ou da francesa ou mesmo da italiana.
No nosso caso, o maior problema é saber que queremos nós, como País, da vida. Que queremos fazer no mundo. Porque para viver temos de fazer alguma coisa que o mundo compre. Sabendo que este mundo é já outro, é novo, que pouco ou nada tem a ver com o mundo de há dez anos atrás. Aquele mundo que bem conhecíamos e a que nos tínhamos habituado mas que acabou, já não existe.
Portanto, mais do que apertar o cinto o que temos de saber é o queremos fazer e o que queremos da vida e do mundo. Ou seja, esta crise geral e global tem consequências estratégicas, que é necessário e urgente discutir e debater. E isso é que é, hoje, a política. É isso que é importante, hoje, na política. E é isso que ninguém faz ou, pelo menos, não se vê ninguém fazer.
Quer dizer, os nossos políticos, todos eles, não estão a fazer o que é mais necessário, imperioso e urgente... Mandam-nos apertar o cinto e pronto. Ora, o País, Portugal, precisa de um horizonte. Precisa de saber para onde vai. Precisa de saber o que ganha com este apertar do cinto. E, a verdade, é que não sabemos e que ninguém nos diz nada.
DESVIO DO PODER
Foi há dias publicada a lista dos homens mais poderosos de Portugal. Várias observações se podem fazer. E algumas devem ser feitas. A primeira é que no top-ten não figura nenhuma mulher. E isto dá já uma ideia de como as mulheres continuam afastadas do centro do poder.
Segunda observação, dos dez referidos, seis são homens do poder económico – Ricardo Salgado, Belmiro de Azevedo, Pinto Balsemão, Soares dos Santos, Américo Amorim e Rui Vilar.
O Primeiro-Ministro apenas surge em 3º lugar e o Presidente da República é apenas o… 6º deste ranking de dez, curiosamente atrás até de Balsemão.
E, lamentavelmente, o líder da oposição, Pedro Passos Coelho, nem consta da lista… É grave.
Como muito grave é a ideia, que o ranking demonstra, de que o poder económico se impõe ao poder político. É muito grave, repito, para a saúde da Democracia e da República que um banqueiro surja como o homem mais poderoso de Portugal, à frente do PM e do PR… Este desvio do poder é inaceitável e terá de ser alterado. Ou então vamos rapidamente dar com os burrinhos na água.
TEMOS UNIVERSIDADE...
A Universidade do Algarve ganhou, nos últimos anos, uma dinâmica muito especial e muito interessante que a está a tornar na grande instituição da região. A continuar assim temos, de facto, Universidade. Temos, de facto, uma instituição cada vez mais determinante para uma afirmação positiva do Algarve.
A propósito do "Dia do Turista", a Universidade dá-nos a conhecer um estudo de enorme importância sobre os perfis de quem nos visita. E sobre quanto e como os turistas gastam, em média, por dia passado na nossa região. É um muito bom serviço prestado à região.
Saber quem nos visita, conhecer os seus modos e capacidades é fundamental. Não só para o sucesso do negócio, mas até mesmo para corrigir o que está mal (e muita coisa está mal...) e poder tornar, cada vez mais, o nosso Algarve naquilo que precisamos que ele seja: um lugar de excelência e seguro. Onde valha a pena estar e dê vontade de voltar e até... ficar.
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